sábado, 20 de agosto de 2011
Honeydrippers
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Cartoon Muddy
ahhh! i think i'm about to pass a kidney stone.
Difícil ouvir mannish boy sem rir, depois desta.
sexta-feira, 27 de abril de 2007
The Blues Brothers
"The Blues Brothers" (traduzido como "Os Irmãos Cara de Pau"), é um musical/comédia de 1980, com um senso de humor singular e muita ação. Estrelado por John Belushi e Dan Aykroyd, seu roteiro foi escrito pelo próprio Aykroyd e por John Landis , que dirigiu o filme.
São personagens que surgiram do interesse musical dos amigos e comediantes John Belushi e Dan Aykroyd, um apaixonado por Rock e o outro por Blues; os personagens foram apresentados, a princípio, em um quadro (musical) no programa americano Saturday Night Live, com músicos de verdade. A banda, em si, começou a ganhar vida fora das telas e lançou um álbum chamado "Briefcase Full of Blues" em 1978, um pouco antes do filme (de 1980).
O filme gira em torno de dois irmãos "Joliet" Jake e Elwood Blues (daí 'os irmãos blues'), onde um deles é um ex-condenado em liberdade condicional, andando pela cidade de Chicago a fim de achar e convencer seus amigos a retomar a sua antiga banda de blues. Porém, seu objetivo maior em refazer a banda é o de arrecadar cinco mil dólares para impedir que o orfanato Católico-romano onde eles cresceram seja fechado; com um objetivo tão nobre, os personagens se convencem que se trata de uma missão divina e, assim, nada pode impedi-los.
domingo, 8 de abril de 2007
EyeCandy
Esse post almeja o dinamismo, portanto, críticas e sugestões de vídeos são bem-vindas. No caso deste post de agora, todos foram vídeos que eu coloquei como meus favoritos no Orkut. hahahhahahaahah
Aí vão alguns:
Freddie King: Ain't No Sunshine When She's Gone.
A performance dele ficou brilhante. (Saca o baixista, que comédia!)
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Layout em mudanças...
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
'Cause, Nobody Knows You...

Contudo, Mamie não se limitava a cantar apenas o blues, assim como muitos dos cantores da época; Eles apresentavam um repertório variado, intencionamente dançante, para agradar a todo o tipo de público, pois se tratava do seu ganha pão.
Sensível a essa contribuição feminina, insuficientemente reverenciada, este blog resolveu trazer à luz algumas informações significativas.
Como a histórias da Cantora Alberta Hunter, que se tornou em vezes indissociável da Cantora Bessie Smith (reverenciada por muitos como a Imperatriz do Blues), que obteve seu primeiro sucesso com a música "Downhearted Blues", chegando ao primeiro lugar das paradas com um milhão de cópias vendidas, uma quantidade impressionante para a época.
Contudo, mesmo "Downhearted Blues" sendo uma composição de Alberta, muitos, até hoje, atribuem-na à Bessie Smith.
Mais impressionante ainda foi o fato de após décadas de ostracismo, Alberta ter sido redescoberta trabalhando como enfermeira em um hospital em 1977, aos 81 anos de idade. Voltou, então, a gravar, excursionar e até cantou no Brasil alguns dias antes de morrer com 90 anos de idade.

Estamos falando de uma intérprete que iniciou sua carreira artística em Chicago antes mesmo de King Oliver, Louis Armstrong ou Sidney Bechet saírem de Nova Orleans.
Ela trabalhou e gravou com esses grandes nomes e muitos outros como Fletcher Henderson, Eubie Blake, Duke Ellington, Fats Waller e Clarence Williams, sendo adorada em Copenhagen e Amsterdam.
Alberta era de Memphis e conhecia o autoproclamado "pai do blues" W. C. Handy. Ela afirma, também, ter sido a primeira a apresentar a música "St. Louis Blues" (sucesso de Bessie Smith) às audiências de Chicago. Fez mais de cem gravações em diversas gravadoras e compôs “Downhearted Blues” em 1923, gravando-o um ano antes de Bessie Smith. Ela compôs inúmeras outras músicas, muito embora sua carreira seja permeada de músicas de blues, baladas e outras de ritmo mais rápido.
De acordo com a biografia feita sobre ela, tratava-se de uma pessoa muito privada, que, segundo o biógrafo Frank Taylor, procurava falar tanto de seus contemporâneos quanto de si mesma.
Alberta Hunter nasceu em abril de 1895, Memphis, Tennessee. Tratava-se de uma criança muito frágil e suscetível à doenças. Seu pai abandou a família enquanto ela era ainda muito jovem e sua mãe, trabalhando em dois empregos, tentava proporcionar o melhor lar possível em uma época de segregação institucionalizada.
Porém, Alberta nunca se apresentou amarga frente às lembranças de sua infância, pelo contrário, com as dificuldades financeiras e o racismo, instalou-se nela o desejo e a determinação pelo sucesso.
Embora não fosse rica, Alberta sempre vestia roupas boas e possuía uma boa casa para morar. Isto se tornou importante para ela durante o resto de sua vida; Viver de maneira cuidadosa à evitar excessos, ao contrário de muitos de seus companheiros do Show Business. E, apesar de não se passar por uma pessoa passional, demonstrava tremenda compaixão ao próximo.

Comumente, muitas fontes afirmam que Alberta tinha 10 ou 11 anos quando (outras, menos provável, que ela tinha 16), ao sair para comprar pão, encontrou sua professora do colégio (conhecida por seus alunos como 'Miss Florida') que, por possuir uma passagem de ônibus extra, aceitou levá-la para Chicago. Alberta havia mentido dizendo que passaria em casa para pedir a permissão de sua mãe.
Com apenas as roupas do corpo, 15 centavos e sem qualquer idéia do que faria ao chegar lá, partiu para Chicago.
Ao chegar, segundo a história, ela foi intuitivamente vagando pela cidade até acabar no apartamento de Helen Winston, a filha de uma amiga de uma amiga de sua mãe (não foi erro de digitação. era realmente "amiga da amiga"). Helen conseguiu o primeiro emprego de Alberta, descascando batatas e ajudando com tarefas no apartamento por 6 dólares por semana.
Apesar de menor de idade, Alberta conseguiu um emprego de cantora no "Dago Frank's" um clube sórdido na parte sul de Chicago que era frequentado por jogadores, gangsters, prostitutas e cafetões. Ela só conhecia algumas músicas, mas imediatamente começou a expandir o seu repertório aprendendo uma nova música por dia. Ela não só desenvolveu a sua performance no club Drago Frank's como aprendeu a se vestir e a como lidar com cafetões, retirando generosas gorjetas deles.
Ela, então, conseguiu expandir seu "show" para uma série de clubes, evoluindo cada vez mais. Em 1919, ela já estava cantando no Dreamland com a banda de King Oliver. A partir daí até os 30 anos que se seguiram, sua carreira a levou para Nova York, Paris, Londres, Amsterdã, Copenhagen e partes da Ásia e África. Trabalhou com músicos renomados como Louis Armstrong, Sidney Bechet, and Fletcher Henderson. Quando, devido a 2ª Guerra Mundial, as viagens para Europa tornaram-se inviáveis, ela se alistou no USO para se apresentar em favor dos soldados na gurra.Ao final dos anos 40, Alberta encontrava dificuldade em continuar a gravar e se apresentar, já estava com cinqüenta anos, os gostos haviam mudado e a televisão, assim como os filmes, esvaziaram parte da audiência. Ela ainda recebia algumas ofertas para viajar para a Europa, mas, simplesmente, não eram mais tão atraentes. Finalmente, com a morte de sua mãe em 1954, Alberta deixou o show business.

Servir a outros era um tema recorrente em sua vida e era assim que ela encarava as suas performances. Contudo, alguns anos antes, Alberta fazia trabalho voluntário no Hospital de Harlem e agora decidira transformar o que antes era voluntário em uma carreira, apesar de estar com 60 anos de idade(!). Conseguiu, usando sua lábia, cursar as aulas de enfermagem e, ao se formar, começou a trabalhar no Goldwater Memorial Hospital. Ela trabalhou os 20 anos seguintes como um enfermeira e pouquíssimas pessoas sabiam de sua antiga carreira como cantora de cabaré e ela nunca cantava para os seus pacientes.
Através de uma série de eventos improváveis, Barney Josephson, que era dono de um pequeno club no Greenwich Village, a localizou. O clube, "The Cookery", era o estilo de clube onde ela havia triunfado nos anos 20 e 30, intimista, cheio e barulhento. O dono do clube a convenceu de que ela seria bem recebida lá, embora ela acreditasse que ninguém se interessaria por uma velha cantando. Após alguns ensaios, estreiou fazendo par com o pianista Gerald Cook.
Assim como o Barney previu, ela foi um sucesso e no topo de seus 82 anos se tornou uma sensação da noite para o dia. O clube ficava lotado todas as noites, outros shows foram marcados, ela entrou nos circuitos dos 'talk shows', choveram artigos de jornais e revistas e a sua biografia foi escrita. Ela voltou a fazer turnês e discos (alguns dos quais estão disponíveis em CD) e foi durante esse período que muito do que se sabe sobre ela tomou a forma escrita.

A saúde da cantora só começou a declinar perto do fim; Mesmo após sofrer uma queda em 1981 e fraturar a perna, ela não diminuiu seu ritmo. Manteve seu calendário puxado de performances e gravações, até que, finalmente, em outubro de 1984, seis meses antes de seu 90° aniversário, Alberta Hunter morreu no seu apartamento em Manhattan, sentada em sua cadeira predileta.
FONTES:
Nursing the blues: The Remarkable Alberta hunter (1895-1984) - David H. Evans
Coleção "Para Saber Mais", Blues - Helton Ribeiro
Posts anteriores com alguma pertinência:
A influência feminina no samba
Sobre Yvonne Lara
indicação: O CD Amtrak Blues, eu comprei e valeu cada centavo.
PREVIEWS:
> Nobody Knows You When You're Down & Out
Integral:
> Downhearted Blues
domingo, 7 de maio de 2006
Paying the cost to be the bluesman
Eu tenho uma boa mulher
Temas consistentes com o blues não incluem uma gama de opções ilimitadas, como para-quedismo, BMW's, uma noite na ópera ou afirmações sobre o meio ambiente. Em contrapartida, ser corno é um tema clássico em um bom blues.
Carros no blues são normalmente Chevrolets e Cadillacs. Outro meio de transporte aceitável em um blues é uma viagem de ônibus, preferencialmente pela viação Greyhound. Igualmente aceito seria um trem a caminho do sul, de preferência viajando escondido no vagão de carga.
Andar também é uma constante no estilo de vida de alguém que vive o blues. Se arrumando para morrer, idem.
Adolescentes não podem cantar o blues. Simplesmente não há vivência suficiente para dar credibilidade às lamentações. Adultos podem cantar o blues. Ser adulto no caso de quem vive o blues é ter a idade suficiente para ser sentenciado à cadeira elétrica por matar outro alguém em Memphis.
Embora seja admissível sentir o blues em qualquer lugar, por se tratar de um gênero de música americana suas melhores referências são as cidades daquele país. Ainda assim, há detalhes específicos que devem ser observados:
- Você pode ter o blues em New York City, mas não no Brooklyn ou Queens.
Você não pode ficar em clima blues em um escritório ou no shopping center. A iluminação não contribui e quebra o clima.
Um bom lugar para se ficar em clima para compor um blues é a auto-estrada, a cadeia ou quando está na cama, sozinho.
a) Templos messiânicos
Ninguém vai respeitar sua dor como sendo blues se você estiver de terno e gravata. Exceção feita se você for velho e negro. Se ainda por cima for cego, ajuda mais ainda.
Você não consegue ter credibilidade cantando o blues se:
a) Você era cego mas agora consegue enxergar
Nem Julio Iglesias nem Barbara Streisand podem cantar o blues.
Se você pedir por água e seu 'baby' te traz gasolina, isto é o blues. Outros líquidos a serem sorvidos em blues são:
a) Vinho barato
No blues, a morte geralmente acontece em um hotel de quinta categoria ou em um pardieiro. Tomar uma facada pelas costas da sua amante enciumada é a mais autêntica das formas de morrer no blues. Outras formas incluem:
a) A cadeira elétrica
Não é considerado uma forma digna para alguém que representa o blues morrer durante um tratamento de lipoaspiração, cirurgia plástica ou circuncisão.
Exemplos são Blind Lemon Jefferson, Blind Blake Phelps, Cripple Clearence Lofton, Dead Eye Norris, Peg Leg Norwood, Peg-Leg Sam Jackson, One-Armed John Wrencher, Bacon Fat Williams, Pigmeat Pete Wilson, Wine Head Bender, T-Bone Walker, Honey Boy Smith, Nelson Peppermint Harris, Don Sugarcane Harris, Homesick James Williamson, Lazy Bill Lucas, Lonesome Sundown Green, Playboy Fuller, Ramblin' Rob Nighthawk, Shakey Jake Harris, Screamin' Jay Hawkins, Steady Roll Johnson, Professor Longhair Byrd, Pinetop Perkins, Shorty George Johnson, Charley Lincoln, Slim Harpo Moore, Hammie Nixon, Roosevelt Sykers, Dinah Washinton, Carolina Slim Harris, Mississippi Matilda Witherspoon, Louisiana Red Minter e Texas Alexander.
segunda-feira, 24 de abril de 2006
85 anos de música
"A chuva está caindo
Mas o samba não pode parar
não! não! não pode parar
não! não! não pode parar
Esta chuva miúda para o sambista é uma coisa a toa
chuva miúda no samba, malandro, é garoa..."
Um dos maiores motores e bastião do samba. Representante imortal, com a vantagem de ainda estar viva, do samba carioca. Yvonne Lara da Costa nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 13 de Abril de 1921. O pai, João da Silva Lara, era mecânico de bicicletas, além de violonista e componente do Bloco dos Africanos. D. Emerentina, a mãe, era pastora do Rancho Flor do Abacate. Aos seis anos de idade, ficou órfã de pai e mãe, sendo internada por parentes no Colégio Orsina da Fonseca, no bairro da Tijuca (bairro de origem, orgulhasamente, dos autores deste blog), Zona Norte do Rio de Janeiro, onde permaneceu até os 17 anos.
Admirada por suas professoras de música no colégio, Lucília Villa-Lobos, esposa do maestro Villa-Lobos e Zaíra Oliveira, primeira esposa de Donga, foi indicada para o Orfeão dos Apinacás, da Rádio Tupi, cujo regente era Heitor Villa-Lobos. Estudou música com Lucília e cantou sob a regência do maestro.
Saindo da escola, foi morar na casa de seu tio Dionísio Bento da Silva, que tocava violão de sete cordas e fazia parte de grupo de chorões que reunia Pixinguinha e Donga, entre outros. Com o tio, aprendeu a tocar cavaquinho. Seu primo, Mestre Fuleiro, também foi um dos fundadores da Império Serrano (que nasceu a partir de uma dissidência da antiga escola de samba Preazer da Serrinha) em 1947, ano em que Dona Ivone Lara mudou-se para Madureira e começou a freqüentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha, mesma época em que começou a compor sambas para esta escola.

Casou-se, aos 25 anos, com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da Escola de Samba Prazer da Serrinha. Nesta época, passou a freqüentar a Escola, onde aprimorou seus dotes de sambista e conheceu os amigos Aniceto, Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira, que mais tarde seriam seus parceiros em algumas composições. Com a fundação do Império Serrano, em 1947, passou a desfilar pela verde e branco de Madureira.
Na Império Serrano compôs alguns sambas-enredos, como "Não Me Perguntes" (com Fuleiro) e o clássico "Os Cinco Bailes da Corte ou Os Cinco Bailes da História do Rio" (com Silas de Oliveira e Bacalhau). Participou das rodas de samba do Teatro Opinião nos anos 60, vindo a gravar o primeiro disco apenas em 1978, quando se aposentou do ofício de enfermeira (trabalhou com Nise de Silveira no tratamento de doentes mentais). Nesse mesmo ano foi gravado por Gal Costa e Maria Bethânia seu maior sucesso, "Sonho Meu", em parceria com Délcio Carvalho. A música foi premiada como a melhor do ano de 1978. Motivo pelo qual foi convidada a gravar seu primeiro LP em 1979 pela Odeon, "Samba, Minha Verdade, Minha Raíz" e, no ano seguinte, "Sorriso e Criança".

Outros intérpretes que tiveram êxito com composições da sambista foram Clara Nunes e Roberto Ribeiro ("Alvorecer"), o trio Maria Bethânia, Ceatano Veloso e Gilberto Gil ("Alguém Me Avisou"), Paulinho da Viola ("Mas Quem Disse que Eu Te Esqueço", com Hermínio Bello de Carvalho) e Beth Carvalho ("Força da Imaginação", com Caetano Veloso). Gravou até o ano 2000, somente estes cinco LPs e um CD, "Bodas de Ouro", com diversas participações.
Seu repertório é composto na maioria de sambas românticos, dolentes ou de inspiração em suas raízes africanas. Dona Ivone é madrinha da ala dos compositores da Império Serrano e desfila todo ano na ala das baianas.
Feliz aniversário e Benção!
Fontes:
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
Yahoo Música
Wikipedia
terça-feira, 18 de abril de 2006
12-bar em 2/4

Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces, e nada mais
I don't care where you bury my body
When I'm dead and gone
Já faz algum tempo que vez ou outra me pego refletindo sobre a semelhança (e as diferenças - enfim, a relação) entre o blues e o samba. Acho que é uma analogia mais ou menos óbvia, partindo-se do princípio que, normalmente, o leigo, ao pensar em música brasileira, pensa em samba, e, ao pensar em música americana, pensa em jazz/blues (coisa que o leigo brasileiro não sabe diferenciar - nem faz idéia, na verdade, como pude comprovar nas primeiras sinopses do filme Black Snake Moan, que, se for pra frente, vai ganhar um post aqui).
Entretanto, o que eu proponho é uma apreciação um pouco mais detalhada dessa relação. Para tanto, é necessário compreender alguns aspectos destes estilos e dos contextos nos quais eles se desenvolveram (e continuam se desenvolvendo). Vale lembrar que este post não pretende esgotar o assunto, de maneira alguma, servindo, talvez, como base para introduzir uma reflexão, de maneira a demonstrar as paridades existentes entre estes dois estilos, que, por sinal, são por demais apreciados pelos dois colaboradores deste blog.
O primeiro ponto que naturalmente salta aos olhos é o fato de que ambos os estilos são música negra. Isto significa, é música feita, principalmente, pelos negros descendentes dos escravos trazidos da África para a América. Isto é verdade, em grande parte.
O samba, conforme pudemos notar no post do Renato abaixo deste, origina-se em estilos trazidos da África, mesclados, em certa medida, à música "branca" que encontraram no Brasil.
Podemos verificar, também, logo neste princípio dos dois estilos (praticamente contemporâneos, por sinal), uma diferença fundamental: o samba tem sua gênese no âmbito urbano, e vai se distanciando um pouco do centro da cidade, na medida em que sobe o morro, no início do século XX. No entanto, ele nunca deixa de ser um estilo de música urbano. O blues, em contrapartida, se origina nas plantações, é música que tem seu nascimento no âmbito rural, para depois, sim, chegar à cidade.
Podemos, também, pensar de uma maneira mais geral, de uma perspectiva contemporânea, como quem observa a penetração destes dois estilos na formação musical de seus países. O samba é identificado, de certa maneira, como "o" estilo de música brasileira, embora isso não possa ser generalizado dessa maneira. A colonização brasileira se deu de maneira "ganglionar", como se costuma dizer: pequenas ilhas que se conectavam somente com o exterior, com a metrópole portuguesa. Dessa forma, existem vários "Brasis", e a diversidade cultural que temos é gritante. Entretanto, a penetração do samba é superior à das demais músicas regionais, por razões que, honestamente, me fogem, sobre as quais posso apenas especular. E é neste campo de especulação que acredito que o samba foi favorecido por ser originado no Rio de Janeiro. Desta forma, quando os meios de comunicação (rádio, e, posteriormente, a TV) se expandiram no Brasil, a música difundida por eles era, principalmente, de música fortemente influenciada pelo samba (a "MPB", tropicália, Bossa Nova, etc.). Agora deixe-me falar um pouco sobre a influência do samba sobre estes estilos que ajudaram a "popularizá-lo" como "o" estilo de música brasileira. 
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Mais uma vez o campeão, mais uma vez o samba...

"O Chefe da Folia
Pelo telefone manda me avisar
Que com alegria
Não se questione para se brincar
Ai, ai, ai
É deixar mágoas pra trás, ó rapaz
Ai, ai, ai
Fica triste se és capaz e verás"
A Geografia do samba:
No século XIX, com o desenvolvimento da cultura do café no Sudeste, se manteria o fluxo escravagista para o Rio de Janeiro, e muitos negros viriam do Nordeste para as plantações do vale do Paraíba como para trabalhar no interior paulista. A escravatura urbana da nova capital, tão bem documentada pelo trabalho de Debret, começa a perder importância com a transferência maciça de negros vendidos para as plantações. A população negra do Rio de Janeiro só voltaria a crescer já na segunda metade do século XIX com a decadência do café no vale do Paraíba e com as chegadas sistemáticas dos baianos que vêm tentar a vida no Rio de Janeiro.
A Abolição engrossa o fluxo de baianos para o Rio de Janeiro, liberando os que se mantinham em Salvador em virtude de laços com escravos, fundando-se praticamente uma pequena diáspora baiana na capital do país, gente que terminaria por se identificar com a nova cidade onde nascem seus descendentes, e que, naqueles tempos de transição, desempenharia notável papel na reorganização do Rio de Janeiro popular, subalterno, em volta do cais e nas velhas casas do Centro.
A província do Rio de Janeiro, de 119.141 escravos em 1844, no início da década de 1870 passa a contar com mais de trezentos mil, dos quais grande parte havia chegado da África através dos portos do Nordeste, muitos vindos de Salvador...
Ou seja, no Rio de Janeiro, então capital federal, a abolição da escravatura e o posterior declínio do café acabaram liberando grande leva de trabalhadores braçais em direção à Corte; Contudo, a volta dos soldados em campanha na Guerra de Canudos também elevou o número de trabalhadores na capital federal. Muitos desses soldados trouxeram consigo as mulheres baianas, com as quais haviam se casado.
Essa comunidade baiana - formada por negros e mestiços em sua maioria - fixou residência em bairros próximos à zona portuária (Saúde, Cidade Nova, Morro da Providência), onde havia justamente a demanda do trabalho braçal e por conseqüência, a possibilidade de emprego. Não demorou muito para que no quintal dessas casas as festas, as danças e as tradições musicais fossem retomadas, incentivadas sobretudo pelas mulheres.

O Gênero da Música:
Apesar de alguns dos mais conhecidos compositores de samba serem homens, de acordo com José Ramos Tinhorão (autor de "História da Música Popular Brasileira - Samba."), "mais importante do que os homens, foram essas mulheres" - quituteiras em sua maioria e versadas no ritual do candomblé - as grandes responsáveis pela manutenção dos festejos africanos cultivados naquela redondeza, onde predominavam lundus, chulas, improvisos e estribilhos. Entre essas doceiras estavam tia Amélia (mãe de Donga), tia Prisciliana (mãe de João de Baiana), tia Veridiana (mãe de Chico da Baiana), tia Mônica (mãe de Pendengo e Carmen do Xibuca) e a mais famosa de todas, tia Ciata, pois justamente de sua casa, à rua Visconde de Itaúna 117 (Cidade Nova), é que "viria a ganhar forma o samba destinado a tornar-se, quase simultaneamente um gênero de música popular do morro e da cidade".
Tia Ciata, a mais famosa, num sobrado da rua Visconde de Itaúna, nº 117, em frente ao Colégio Pedro II, possuía uma casa comercial para vender quitutes baianos e cultivar o jogo. Cedo tia Ciata reuniu uma freguesia de malandros, que faziam música, inspirados naquele ritmo que ela, e outras bahianas como ela, havia trazido à cidade grande. Entre esses malandros, estaria a nata de compositores de samba do início do século, a exemplo de Donga, Sinhô (o Rei do Samba), Pixinguinha, Hilário Jovino Ferreira, João da Baiana, China (irmão de Pixinguinha), Heitor dos Prazeres e tantos outros. Foi através dessas reuniões, onde a música e o jogo se misturavam, que foi criado o primeiro samba de autor identificado: O "Pelo Telefone".

Cozinheira, mãe de santo, animadora cultural e dona da casa onde se reuniam sambistas. Há controvérsias sobre a data de nascimento de Tia Ciata. Alguns pesquisadores afirmam que a data correta é : 23/4/1854. Tia Ciata (seu nome é encontrado também grafado como Siata, Aciata, Assiata ou Asseata) chegou ao Rio de Janeiro em 1876, aos 22 anos, indo residir inicialmente na Rua General Câmara. Em seguida, residiu na Rua da Alfândega e depois na Rua Visconde de Itaúna (próxima à Praça Onze). Tia Ciata tirava seu sustento da cozinha típica baiana. Ela vendia quitutes em seu tabuleiro entre as ruas Uruguaiana e Sete de Setembro, e também no Largo da Carioca.
Em sua sala, o baile onde se tocavam os sambas de partido entre os mais velhos, e mesmo música instrumental quando apareciam os músicos profissionais, muitos da primeira geração dos filhos dos baianos, que freqüentavam a casa. No terreiro, o samba raiado e às vezes as rodas de batuque entre os mais moços. As grandes figuras do mundo musical carioca, Pixinguinha, Donga (filho de mãe baiana), João da Baiana (idem), Heitor dos Prazeres (também filho de mãe baiana), surgem ainda crianças naquelas rodas onde aprendem as tradições musicais baianas a que depois dariam uma forma nova, carioca.
A casa da Tia Ciata se torna a capital dessa Pequena África no Rio de Janeiro. Assim, esse grupo baiano se constituía numa elite nessa comunidade popular que se desloca do Centro para suas imediações, forçada a se reestruturar a partir das grandes transformações nacionais e da reforma da cidade, referências de um grupo heterogêneo e caótico onde se preservam e se misturam essas maiorias e minorias étnicas nacionais e estrangeiras.
Assim se pronuncia José Ramos Tinhorão: "Ao contrário do que se imagina, o samba nasceu no asfalto; foi galgando os morros à medida em que as classes pobres do Rio de Janeiro foram empurradas do Centro em direção às favelas, vítimas do processo de reurbanização provocado pela invasão da classe média em seus antigos redutos.

Para Tia Ciata e sua geração de baianas-festeiras tradicionais, a festa da Penha era o momento de encontro de sua comunidade de origem com a cidade, desvendando para os ‘outros’ essa cultura que subalternamente se preservava e que era a cada momento reinventada pelo negro do Rio de Janeiro. Mas sua morte, em 1924, encerra uma época.
"Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto
Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor"
Fontes:
Pequena História do Samba - Nancy Alves
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
“Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro” (FUNARTE, 1983) de Roberto Moura
terça-feira, 11 de abril de 2006
Botafogo Campeão Carioca
Pois então, é através de opostos (como o assunto a ser tratado nesse Post e o seu respectivo título), que eu pretendo ressaltar o como o nosso assunto aqui é a música, independentemente de tudo. Mostrando, ao contrário da crença de muitos, que o Blues e o Samba não estão assim distantes e não são, portanto, opostos.
Citações próximas:
Sobre a Gênese do Blues
Mais um pouco sobre o Blues
Sobre o American Folk Blues Festivals
Sobre o músico Buddy Guy
Death Letter Blues
Sobre o Samba:
Da mesma forma que o blues e o jazz nos Estados Unidos e a salsa (derivada do mambo e da rumba) em muitos dos países caribenhos, o samba é indiscutivelmente o gênero musical que confere identidade ao Brasil.
Nascido da influência de ritmos africanos para cá transplantados, sincretizados e adaptados, foi sofrendo inúmeras modificações por contingências das mais diversas - econômicas, sociais, culturais e musicais - até chegar no ritmo que conhecemos. E a história é mais ou menos a mesma para os similares caribenho e americano.
Simbolizando primeiramente a dança para anos mais tarde se transformar em composição musical, o samba - antes denominado "semba" - foi também chamado de umbigada, batuque, dança de roda, lundu, chula, maxixe, batucada e partido alto, entre outros, muitos deles convivendo simultaneamente.
Do ritual coletivo de herança africana, aparecido principalmente na Bahia, ao gênero musical urbano, surgido no Rio de Janeiro no início do século XX, muitos foram os caminhos percorridos pelo samba, que esteve em gestação durante pelo menos meio século.
A origem provável da palavra samba esteja no desdobramento ou na evolução do vocábulo "semba", que significa umbigo em quimbundo (língua de Angola). A maioria desses autores registra primeiramente a dança, forma que teria antecedido a música.
Fonte:
Pequena História do Samba - Nancy Alves
segunda-feira, 10 de abril de 2006
Lázaro, levanta-te e anda!
Após um longo e tenebroso inverno, finalmente uma atualização. Tudo bem, ainda não é um post, com informações ou coisas interessantes, mas é um sinal de que o 12-bar está vivo, mudou de endereço, layout (ok, ainda estamos tentando encontrar a melhor opção), e que um dia vai virar um blog de verdade, hehehe.quarta-feira, 4 de janeiro de 2006
In the mood for Mr. Johnson
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Alguns estilos, e alguns artistas, entretanto, pelo menos pra mim, costumam precisar de um "algo a mais", até pra que eu aprenda o "mood" praquela(s) música(s). Aconteceu com o Led Zeppelin. Eu baixei trocentas músicas há uns anos, mas só gostava de algumas. Hoje em dia, é difícil dizer de qual eu não gosto (The Crunge é o exemplo mais evidente). Aconteceu com Jimi Hendrix. Aconteceu com o blues.
E aconteceu com Robert Johnson. Afinal, quando eu peguei uma ou outra gravação (Hell Hound On My Trail e Me And The Devil Blues, excelentes títulos pra cativar um molequinho que havia começado a ouvir rock poucos meses antes), eu francamente não gostei. Eu até achava interessante, as letras, coisa ou outra na música, mas não conseguia cantar a plenos pulmões, acompanhando e me empolgando com aquilo. Era uma gravação tosca, um violão estranho, uma voz que muitas vezes parecia irritar... que que aquele negão tava cantando? Com o tempo, com o costume com o blues, eu fui aprendendo a apreciar melhor a arte de Robert Johnson. Entretanto, esse "entendimento" só chegou ao completo por meio de um intermediário, há poucas semanas. Isso já me tinha acontecido com o próprio blues (o intermediário tinha sido o Led Zeppelin), e a música brasileira, MPB e samba, em especial (que eu gostava, mas não achava grandes coisas - o intermediário foi o Los Hermanos). Dessa vez, o intermediário foi o grande Eric Clapton.
Em 2004, Eric Clapton gravou um álbum chamado "Me And Mr Johnson", no qual ele apresenta as suas versões para as músicas do imortal bluesman. O que eu só vim descobrir há pouco tempo, é que a veneração de Clapton por Robert Johnson não parou por aí: no mesmo ano, saíram CD e DVD novos, que nada mais são do que ele tocando as músicas e falando sobre o Bob. Eu vi o vídeo deste DVD (bem mais curto que o DVD completo, evidentemente) por acidente, numa quarta-feira de manhã, antes de ir pra faculdade, e, ali, Robert Johnson começou a fazer sentido. Peguei uma fita velha e gravei a reprise, que passou uma da madrugada. Infelizmente, a fita velha e o vídeo, também velho, de qualidade duvidosa, já tendo passado pelo estaleiro, decretaram que eu gravasse apenas 2/3 do programa de uma hora. No vídeo, havia três momentos. No primeiro, Clapton e banda tocando versões "modernas" das músicas do Bob Johnson, com destaque pra "They're Red Hot" e "Sweet Home Chicago". Depois, ele e um guitarrista de apoio vão tocar, apenas com voz e dois violões, no hotel onde o Bob fez algumas de suas pouquíssimas sessões de gravação, em Dallas, Texas. Destaque pra Hell Hound On My Trail, Terraplane Blues, From Four Till Late (que, aliás, eu só conheci vendo o programa). A terceira parte, que mostra Clapton sozinho num quarto com um violão e uma foto do Bob numa mesinha do lado, meu vídeo fez o favor de não gravar. Das que eu me lembro de ele ter tocado, destaque pra Love In Vain. Tudo entremeado por alguns detalhes da vida do Robert Johnson, e algumas passagens do Clapton falando sobre ele e sua adoração, que teve origem quando Eric tinha 15 anos.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2005
the gates to heaven MUST be open!
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Conversa vinha e conversa ia com o Alvaro, o meu colega de 'posts' desse blog, nos perguntávamos o que ELE iria tocar, tentávamos antecipar suas escolhas e, com isso, aumentávamos nossas expectativas. Eu apertava a minha mão contra o meu joelho, respirava e dizia: será perfeito se ele tocar 'done got old', mais nada, essa é uma música que eu tenho que ouvir da boca dele. O Alvaro concordava, balançava a cabeça e, então, discutíamos mais músicas.
Pegamos o meu carro e saímos um pouco antes da hora marcada para o show, pois não queríamos esperar muito. Chegamos bem a tempo, ocupamos nossos lugares nas fileiras da frente, graças a meses de economia, uns quinze minutos antes de começar o show.Nós ouvimos falar que em alguns shows ele andava entre a platéia e fazia isso e aquilo. Eu não esperava muito, tentava não deixar a minha expectativa muito alta. O show começou, tudo rolou muito bem, exceto por um "fã" infeliz, daqueles que gosta de mostrar para TODOS que ele é um fã DE VERDADE, sentados na frente dele ouvíamos ele gritando as letras junto com Buddy e não contente apenas com isso, antecipando as partes cantadas e gritando a letra antes do próprio Buddy.

Para o meu espanto, no meio do show ELE desceu do palco para andar entre a sua platéia, passando a um metro de mim, que assistia a tudo isso de boca aberta e uma expressão de espanto somente comparável, provavelmente, a quando os pescadores assistiam, em tempos bíblicos, o Messias andar sobre as águas.
Performances maravilhosas de Hendrix, Cream e, superando qualquer previsão ou expectativa minha, trazendo lágrimas para os meus olhos, 'Boom Boom' do John Lee Hooker; Foi assim que, sem perceber, em alguma parte do show, essa deliciosa mistura entre céu e inferno, causada pelo artista e seu fã infernal, eu me encontrei extasiado e com uma estranha certeza de que agora eu fazia parte da história da música.

O show terminou e, como todo bom show, eu não achava que tinham se passado muito mais do que quinze minutos. Ele se inclinou no palco, sobre a platéia, para jogar palhetas e a multidão se agregou formando uma parede instransponível de fãs do blues. Não consegui chegar a tempo de pegar uma palheta para mim, Deus deve estar de brincadeira, eu pensei. Mas enquanto eu comentava com o meu amigo que o Buddy não havia tocado 'done got old' e que, o show foi tão foda que nem sentimos o tempo passar, o guitarrista da banda dele volta e eu encontro a minha segunda chance, poxa, talvez o Buddy mande os outros jogarem suas palhetas ao público, pois ele prefere não perder tempo com isso, pensei. Doce ilusão, me acotovelando e espremendo, consigo com muito esforço, pegar um cartão de divulgação pessoal do Rick Hall, guitarrista da banda, ao som de gargalhadas e piadas no fundo, "taí o meu cartão, pra aniversários, colação de grau, bar mitzvah, festa de debutante..."

Mas, com tudo que aconteceu, valeu a pena de longe. E Não tem como eu demonstrar, através de texto algum, o quão absurdo de bom foi o show, só quem foi mesmo.
Abraços.
quinta-feira, 20 de outubro de 2005
O violão do Son House
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Certa vez, o Renato comentou comigo sobre o violão do Son House. Nunca tinha prestado muita atenção, exceto pelo fato de que já vira um modelo igual na capa do disco "Brothers In Arms", da fantástica banda Dire Straits. Estava plantada a veneração ao violão do Son House.
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Era um violão de metal, com uma caixa de ressonância extremamente peculiar, e que... bem, a verdade é que simplesmente o visual do violão agradava a ele, e eu fui obrigado a concordar (de fato, era fantástico).
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Descobri tratar-se de uma "steel guitar", um violão com uma ressonância superior aos comuns, de madeira, cujo volume permitia que se tocasse para platéias muito maiores, num contexto (lugar e época) em que nem sempre se podia amplificar eletricamente os instrumentos. Esta propriedade fazia da "steel guitar" a preferida de muitos nomes clássicos do blues, e ela se tornou um instrumento muito associado especialmente ao Delta do Mississipi e à Lousiana, principalmente acompanhado de "slides" ("bottlenecks").
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Bem, não há muito mais a acrescentar, exceto pelo fato de que descobri que se trata do sonho de consumo de muitas outras pessoas, também. Faço aqui uma promessa a mim mesmo. Um dia eu terei um violão igual.
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LINKS INTERESSANTES:
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Wikipedia
Foto grande do modelo do violão do Son House
Site do fabricante "National Resophonic"
segunda-feira, 17 de outubro de 2005
Death Letter Blues
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How do you reckon it read?
Said you better come on home, Son.
That girl you love is dead.
Existem algumas obras que são obrigatórias. Estas o são por serem referências em seus respectivos campos (falo de obras artísticas). A música é cheia destas referências, que se tornam ícones pelos mais diversos motivos. As mais significativas, no entanto, se tornam ícones por representarem um momento particularmente iluminado dos artistas que as criaram, de modo que a própria obra seja capaz de definir tudo o que aquele determinado artista produziu. "Death Letter Blues" é uma destas obras. Você não pode ouvir Son House sem ouví-la. E muito menos ouví-la sem que, ao final, tenha entendido o que o Son House é (o homem foi, o bluesman é), e como sua música é.
Eddie James "Son" House Jr nasceu em 21 de Março de 1902 em Riverton, Mississipi. Ou não. Essa informação é um tanto controversa. Os documentos oficiais atestam esta data como verdadeira, mas o próprio Son House já forneceu datas imprecisas e contraditórias sobre seu nascimento: ele seria um homem de meia-idade na época da 1ª Guerra Mundial; ele teria 79 anos em 1965; ele teria nascido em 1886. Fato é que gravações feitas em 1941 e 42 apresentam uma voz que certamente não é a de um homem jovem.
Son House foi um dos mais importantes bluesmen de todos os tempos, e é um dos ícones maiores do blues do delta do Rio Mississipi, ao lado de nomes como Robert Johnson, Charlie Patton, Willie Brown e Leroy Williams. Ele não era um virtuose, mas compensava sua falta de técnica com um estilo extremamente marcante, com riffs vigorosos e ritmados, freqüentemente com "bottleneck" (slide guitar), e uma voz profunda e inconfundível. Ele gravou para a Paramount Records nos anos 30 e para Alan Lomax no início dos anos 40. Depois disso, sumiu para o público...

... sendo redescoberto nos anos 60, quando havia um "revival" do blues no meio musical, especialmente devido à explosão de bandas de rock fortemente inspiradas nos bluesmen americanos, das quais os Rolling Stones foram a mais forte expressão. Foi nesta "redescoberta" que House gravou "Death Letter" pela primeira vez, em 1965, embora a canção date de pelo menos algumas décadas antes disso.
Son House era um verdadeiro ícone do blues. Sua própria vida é uma espécie de síntese do blues, inclusive com alguns mistérios que não poderiam faltar. Ele ajudou a disseminar entre os jovens apreciadores de blues nos anos 60 a lenda (?) de que Robert Johnson teria vendido sua alma ao diabo numa encruzilhada a fim de conseguir sucesso tocando.
Infelizmente, ele parou de tocar nos anos 70, e morreu em 19 de Outubro de 1988 (daqui a dois dias se completam 17 anos). Não sem antes dizer, em uma entrevista devidamente gravada e mostrada na excepcional série "The Blues", produzida pelo Martin Scorsese (que certamente terá seu post, num futuro próximo), o que "quotei" abaixo do título deste blog. Sim, é dele: "... 'blues this', 'blues that'... This is not the blues! I'll tell you what the real blues is about: B-L-U-E-S!"
"Death Letter Blues" é uma canção vigorosa, em que ele mostra todas as características de sua música. Há um riff principal marcante, com uma batida forte (sim, sem palheta). A estrutura das estrofes é a típica do blues, com uma frase, uma repetição, seguida de uma espécie de "conclusão" (com variações, logicamente, até porque, diferente da maioria dos blues, "Death Letter" possui uma letra muito grande). A letra varia um pouco de gravação para gravação (há algumas), mas a idéia principal é a mesma, e trata de um homem que recebe a notícia de que sua mulher morreu e tudo o que ele sente e pensa no decorrer deste acontecimento (aliás, não poderia haver tema mais "blues").

LINKS INTERESSANTES:
A sempre útil Wikipedia
*Este post foi construído à audição exaustiva de três versões diferentes de "Death Letter", uma delas a do blog do cara, e outra a versão de estúdio do White Stripes.
segunda-feira, 10 de outubro de 2005
O Caminho de Oscar Niemeyer (e seus, recém celebrados, 98 anos)
Oscar Niemeyer repete que a arquitetura não importa, e sim a beleza, as mulheres e o convívio social. No entanto, ele passou as últimas sete décadas debruçado à prancheta, perseguindo a meta do ofício, erguer monumentos que desafiem os princípios da Física e ameacem flutuar no espaço. Ainda mais espantosa é sua produção: segue a elaborar projetos, fiscalizar obras que criou e a lançar um livro atrás do outro em vários gêneros.O último (e mais harmonioso) baluarte da esquerda brasileira fala da degradação dos valores políticos na globalização, critica a má execução de seus projetos e conta histórias de vida e os segredos da vida longa e da grande arte.
Niemeyer tem discutido com sucessivos governadores do Distrito Federal para tentar impor sua vontade. Governantes são obstáculos de seus desejos de criador de espaços. Outro alvo de sua fúria é o prefeito Cesar Maia, do Rio de Janeiro. 'Ele mandou inscrever propaganda da prefeitura no alto do arco do Sambódromo', ataca o arquiteto. 'Aquele é um monumento às formas da mulata. Usá-lo para promover a prefeitura é profanação!' Ele está reunindo a comunidade de arquitetos e sambistas para apagar o letreiro.
O complexo do Parque do Ibirapuera em São Paulo merece também críticas de seu criador. 'Ele foi fundado em 1954, mas até agora deixa a desejar', diz. Está tão furioso com a execução que jurou não comparecer à inauguração. Isso porque não concorda com a manutenção da histórica marquise, que corta a praça em duas partes. 'É de uma burrice fantástica manter a marquise', critica. 'Nunca vi no mundo uma praça cortada por uma marquise.' Aos que argumentam que a marquise é uma das atrações amadas pela população, ele retruca: 'O projeto é meu. Estou mandando derrubá-la!'.
"Defendo, intransigente, a minha arquitetura. Mas o mais importante é a vida, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar”
Da janela de seu escritório, que freqüenta diariamente, ele vê o mar e as montanhas da paisagem de Copacabana. Dizem que dali ele tira a inspiração para as curvas. Para quem projetou Brasília e desenhou a sede da ONU, em Nova York, além de já ter recebido todas as condecorações possíveis, parece que a vida está completa, certo? Não para Niemeyer. Inquieto e convicto de suas ideologias, ele não aceita a miséria e a desigualdade social e continua a sonhar com uma revolução socialista. Apesar de ateu, projetou mesquitas, igrejas, sinagogas e até um templo evangélico. Finaliza agora o Caminho Nie-meyer, em Niterói, além de estar à frente de várias construções, entre elas o Museu e Centro Cultural dos Prêmios Príncipe de Astúrias, na Espanha.
Tem consciência de que não estará entre nós para sempre. Por isso, seus livros. 'Tenho escrito até novelas', conta. 'Tudo bobagem'. Ele acaba de lançar Casas onde Morei, memórias das casas em que viveu (e de algumas que construiu), e Minha Arquitetura - 1937-2005. Este último é um balanço comentado de toda a sua produção, de projetos a esculturas e móveis. Seus comandados informam que, além das esculturas, ele tem desenhado mulheres a cavalo e escrito poemas e histórias. Mas é na arquitetura que encontra o campo de batalha favorito. Os prédios, monumentos, pontes e templos que assina fazem parte de um projeto utópico. Sua obra em concreto deseja, em última instância, soterrar com beleza a realidade de um mundo socialmente desigual. 'Felizmente, consegui viver para construir minha obra', diz, com orgulho. 'Mas envelhecer, meu caro, é uma merda!'
Fontes:
Época 1
Quem
Época 2
sexta-feira, 30 de setembro de 2005
Blues Fest
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Nomes consagrados nesse estilo como Big Joe Manfra, Beale Street, Maurício Sahady, Blues Power, Blues Etc., Big Gilson, Flávio Guimarães, Ivo Pessoa, The Mojo Society, Suburblues, Jefferson Gonçalves & Banda, estarão se apresentando de maio a outubro, duas vezes por mês, ou seja, quinzenalmente. “A idéia foi minha e do gaitista Jefferson Gonçalves e surgiu devido à vontade de mostrar a força do blues no Rio de Janeiro, que é um celeiro de Bluesmen e para um público altamente qualificado e exigente, com casa adequada ao estilo. O Mistura Fina foi a escolha natural”, comenta o produtor e guitarrista da The Mojo Society, Luiz Felippe Santos, mais conhecido no cenário Blues como "Felippão".
Se você não pôde ir a algum dos shows por alguma razão ou simplesmente não sabia da existência do festival, aproveite a sua última chance e marque presença, para que você possa contar aos seus amigos como você foi no dia da grande Jam Session formada por Jefferson Gonçalves (gaita), Fábio Mesquita (baixo), Miguel Archanjo (Hammond, piano), Felippão (guitarras), Big Joe Manfra (guitarras), Beto Werther (bateria) e Ivo Pessoa (vocal) reunidos no mesmo palco.
Serão ao todo, 11 artistas e 12 shows, sendo que o último show será essa grande Jam Session. “A Blues Time Records, que conta com um cast de grandes artistas do gênero e velha conhecida do mercado de blues nacional foi a opção certa, pois seus músicos formam uma irmandade do Blues. Também convidamos o Big Gilson e o Flávio Guimarães, que apesar de não serem da gravadora são legítimos representantes do Blues do Rio de Janeiro e honram muito não só a cidade mas também o estilo, pois são dois músicos talentosíssimos”, declara.
Mesmo sem ter o apoio da grande mídia o Blues por onde passa deixa seu rastro positivo. “O Blues Brasil é, depois do americano, o mais interessante do mundo, pois agrega uma série de elementos brasileiros, ricas misturas que dão o grande diferencial perante outros artistas. Isso é fato e mesmo que a grande mídia ignore o estilo, os artistas continuam a fazer sucesso por onde passam, seja em Guaramiranga (CE) ou Dallas (EUA)”, afirma.


Fonte:
Itaipava
sábado, 24 de setembro de 2005
A Canção Brasileira...
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões
De corações brasileiros
"Os personagens desta opereta representam gêneros ou instrumentos musicais e narram o amor entre a Canção Brasileira e o Samba, contra vontade de sua mãe, Modinha, seu pai Lundu, e seu pretendente burguês, o Tango.

Eu fui pessoalmente conferir a peça, pois a descrição me parecia texto descritivo mais atraente a passar por meus olhos em muito tempo. Vocês podem achar, por um momento, que com tanta expectativa, principalmente aquelas mal direcionadas, dificilmente coisa alguma estaria a altura. Entretanto, dentre surpresas, arrepios e emoções contidas, a peça valeu cada centavo e a inétida afirmação, de minha parte pelo menos, de valer muito mais do que eu me propus inicialmente a pagar.
Uma análise extremamente poética de nossas paixões melódicas e de nossas influências instrumentais, causou-me arrepios. É indescritível frente uma primeira análise, mas com calma conseguimos pensar em alguns adjetivos apropriados para esse espetáculo hipnotizador, e é por isso que o meu convite é para que vocês mesmos o adjetivem, pois não existiria homenagem mais lisongeira. ;o)
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ESTRÉIA: 2/9/2005, às 19h
TEMPORADA: até 23/10/05 (de quinta a domingo às 19h).
DURAÇÃO: 120 minutos
LOCAL: Teatro do Centro Cultural Correios (lotação 180 lugares): Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro - Rio de Janeiro/RJ - Tel (021) 2253-1580.
INGRESSOS: 5ª e 6ª R$ 10,00 Sáb. e Dom. R$ 15,00.
Maiores de 65 anos e estudantes com carteira da UNE pagam meia-entrada.
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: Livre
Fontes:
Beatriz, a namorada (ela que mandou a msg. então tá + pra inspiração do q pra fonte, mas td bem)
UOL-Guia da Semana
CCC - Centro Cultural dos Correios
sexta-feira, 16 de setembro de 2005
"Ladies and gentlemen, please welcome the 'dynamic gentleman of the blues', Mr. BB King!"
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