sexta-feira, 27 de abril de 2007

The Blues Brothers

Este post aparece como uma conseqüência do anterior (eyecandy), visto que também se propõe a alegrar nossos olhos tanto quanto os ouvidos. -e porque consta, também, na minha lista de vídeos favoritos do Orkut-

"The Blues Brothers" (traduzido como "Os Irmãos Cara de Pau"), é um musical/comédia de 1980, com um senso de humor singular e muita ação. Estrelado por John Belushi e Dan Aykroyd, seu roteiro foi escrito pelo próprio Aykroyd e por John Landis , que dirigiu o filme.

São personagens que surgiram do interesse musical dos amigos e comediantes John Belushi e Dan Aykroyd, um apaixonado por Rock e o outro por Blues; os personagens foram apresentados, a princípio, em um quadro (musical) no programa americano Saturday Night Live, com músicos de verdade. A banda, em si, começou a ganhar vida fora das telas e lançou um álbum chamado "Briefcase Full of Blues" em 1978, um pouco antes do filme (de 1980).

O filme gira em torno de dois irmãos "Joliet" Jake e Elwood Blues (daí 'os irmãos blues'), onde um deles é um ex-condenado em liberdade condicional, andando pela cidade de Chicago a fim de achar e convencer seus amigos a retomar a sua antiga banda de blues. Porém, seu objetivo maior em refazer a banda é o de arrecadar cinco mil dólares para impedir que o orfanato Católico-romano onde eles cresceram seja fechado; com um objetivo tão nobre, os personagens se convencem que se trata de uma missão divina e, assim, nada pode impedi-los.

Bom, apesar da história incomum, o grande diferencial do filme são as cenas musicais que contam com grandes nomes como JAMES BROWN, STEVE CROPPER, JOHN LEE HOOKER, 'PINETOP' PERKINS, ARETHA FRANKLIN, RAY CHARLES, dentre outros. E com a seqüência "The Blues Brothers 2000" aumentou mais ainda a lista de celebridades a participar do filme.

Outras cenas, além das que eu coloquei, podem ser encontradas no Youtube, porém não estão com a qualidade muito boa. Sugestão: aluguem o filme, vale a pena!

Aí vai um gostinho:

Cena do filme "Blues Brothers 2000" com BB King, Jeff 'Skunk' baxter (guitarra), Gary US Bonds, Eric Clapton, Clarence Clemens (sax tenor), Bo Diddley, Isaac Hayes, Dr. John (piano), Charlie Musselwhite (gaita), Billy Preston (morreu em 2006), Lou Rawls (também morreu em 2006), KoKo Taylor, Travis Tritt (guitarra), Jimmie Vaughan (guitarra), Grover Washington Jr. (sax barítono - morreu em 1999), Stevie Winwood (órgão).

PS: a mulher comendo as uvas chama-se Erykah Badu




Cena do 1° filme ('The Blues Brothers'), eles com a Aretha Franklin (Repara que no início aparece o John Lee Hooker fazendo uma pontinha)




Cena do 1° filme ('The Blues Brothers'), eles com o Ray Charles.





Cena final do 2° filme ('the Blues Brothers 2000'), eles com BB King, Jeff "Skunk" Baxter (guitarra), Gary U.S. Bonds (vocal), Eric Clapton, Clarence Clemons (vocal e sax tenor), Jack DeJohnette (bateria), Bo Diddley, Jon Faddis (trompete), Isaac Hayes (vocal), Dr. John (vocal e piano), Tommy McDonnell (vocal), Charlie Musselwhite (vocal e gaita), Billy Preston (vocal e sintetizador), Lou Rawls (vocal), Joshua Redman (sax tenor), Koko Taylor, Travis Tritt (vocal e guitarra), Jimmie Vaughan, Grover Washington, Jr. (sax barítono), Willie Weeks (baixo), Steve Winwood (vocal e órgão).

domingo, 8 de abril de 2007

EyeCandy

Algo para agradar os olhos tanto quanto aos ouvidos. Este será um post, a princípio, só de vídeos imperdíveis encontrados pela internet, principalmente no Youtube.

Esse post almeja o dinamismo, portanto, críticas e sugestões de vídeos são bem-vindas. No caso deste post de agora, todos foram vídeos que eu coloquei como meus favoritos no Orkut. hahahhahahaahah

Aí vão alguns:

Freddie King: Ain't No Sunshine When She's Gone.
A performance dele ficou brilhante. (Saca o baixista, que comédia!)






[crowd cheering] "Thank you. And now, ladies and gentlemen, i'd like to bring to the stage three more blues greats. Please welcome the great ALBERT COLLINS ladies and gentlemen! [crowd cheering] I can't hear you Apollo! [more cheering]

Ladies and gentlemen, the fabulous BUDDY GUY! [crowd cheering] I can't hear you apollo! [More cheering]

And bringin' it home, the slammin' Mr. JEFF BECK, ladies and gentlemen! [crowd cheering] I can't hear you Apollo!" [music begins]

Tá... os outros dois vocês conhecem né?!





Albert King and Stevie Ray: Matchbox Blues

Alguns dizem que o SRV está segurando no virtuosismo por respeito ao A. King que é seu ídolo. Bom, de qualquer jeito, ficou muito legal.

(prestando atenção no SRV, como em outras vezes, se vestindo igual a um cafetão, hahahahahahhahaha)





Olha só: Chuck Berry, Eric Clapton, Keith Richards & Johnnie Johnson: Wee Wee Hours

"Wee Wee Hours, From: "Chuck Berry - Hail! Hail! Rock N' Roll"

This documentary covers the concert at the Fox Theatre in St. Louis, Missouri, to celebrate Chuck Berry's sixtieth birthday, and also discusses his life and career.





Um cover pelo "Blues Riders" da música "Death Don't Have No Mercy" do bluesman (Blind) Rev. Gary Davis. Dá vários arrepios se prestar atenção na letra.

(Antes da música, o vocalista conta resumidamente a história do Rev. Gary Davis).





Eric Clapton tocando "Terraplane Blues" do Robert Johnson no seu CD/DVD "Sessions For Robert J", que, quem quiser me dar de presente, é bem-vindo. Saca o comentário dele no final: "Phewww... it's so tough on the fingers, this one" heheheheehheheheheheheeh





Unindo o útil ao agradável! Pra quem sempre se perguntou daonde saiu o subtítulo do blog: "blues this, blues that..." Então, saiu dessa entrevista com o Son House. Taí esta parte da entrevista junto com uma das músicas mais bonitas dele (regravada pelo White Stripes).

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Layout em mudanças...

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Eis que o blog ressuscita, passa para o novo blogger, e muda um pouco o layout. Ainda estamos trabalhando nele, mas já mudei algumas coisinhas que acho que ficaram boas.
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Em tempo: declarei ontem mesmo que o blog não era meu, e que não postaria por vários meses, mas resolvi fazer essas mudanças. De qualquer forma, vou mesmo ficar alguns meses sem postar, pelo menos a princípio.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

'Cause, Nobody Knows You...



Muito embora os primeiros bluesmen fossem homens de um sul rural e amargo, coube a uma mulher, da cidade grande, entrar para a história com a primeira gravação de blues. Mamie Smith, que morava em Nova York, lançou um 78 rotaçoes com a múscia Crazy Blues.
Contudo, Mamie não se limitava a cantar apenas o blues, assim como muitos dos cantores da época; Eles apresentavam um repertório variado, intencionamente dançante, para agradar a todo o tipo de público, pois se tratava do seu ganha pão.
Sensível a essa contribuição feminina, insuficientemente reverenciada, este blog resolveu trazer à luz algumas informações significativas.

Como a histórias da Cantora Alberta Hunter, que se tornou em vezes indissociável da Cantora Bessie Smith (reverenciada por muitos como a Imperatriz do Blues), que obteve seu primeiro sucesso com a música "Downhearted Blues", chegando ao primeiro lugar das paradas com um milhão de cópias vendidas, uma quantidade impressionante para a época.
Contudo, mesmo "Downhearted Blues" sendo uma composição de Alberta, muitos, até hoje, atribuem-na à Bessie Smith.

Mais impressionante ainda foi o fato de após décadas de ostracismo, Alberta ter sido redescoberta trabalhando como enfermeira em um hospital em 1977, aos 81 anos de idade. Voltou, então, a gravar, excursionar e até cantou no Brasil alguns dias antes de morrer com 90 anos de idade.



Estamos falando de uma intérprete que iniciou sua carreira artística em Chicago antes mesmo de King Oliver, Louis Armstrong ou Sidney Bechet saírem de Nova Orleans.
Ela trabalhou e gravou com esses grandes nomes e muitos outros como Fletcher Henderson, Eubie Blake, Duke Ellington, Fats Waller e Clarence Williams, sendo adorada em Copenhagen e Amsterdam.

Alberta era de Memphis e conhecia o autoproclamado "pai do blues" W. C. Handy. Ela afirma, também, ter sido a primeira a apresentar a música "St. Louis Blues" (sucesso de Bessie Smith) às audiências de Chicago. Fez mais de cem gravações em diversas gravadoras e compôs “Downhearted Blues” em 1923, gravando-o um ano antes de Bessie Smith. Ela compôs inúmeras outras músicas, muito embora sua carreira seja permeada de músicas de blues, baladas e outras de ritmo mais rápido.

De acordo com a biografia feita sobre ela, tratava-se de uma pessoa muito privada, que, segundo o biógrafo Frank Taylor, procurava falar tanto de seus contemporâneos quanto de si mesma.

Alberta Hunter nasceu em abril de 1895, Memphis, Tennessee. Tratava-se de uma criança muito frágil e suscetível à doenças. Seu pai abandou a família enquanto ela era ainda muito jovem e sua mãe, trabalhando em dois empregos, tentava proporcionar o melhor lar possível em uma época de segregação institucionalizada.
Porém, Alberta nunca se apresentou amarga frente às lembranças de sua infância, pelo contrário, com as dificuldades financeiras e o racismo, instalou-se nela o desejo e a determinação pelo sucesso.

Embora não fosse rica, Alberta sempre vestia roupas boas e possuía uma boa casa para morar. Isto se tornou importante para ela durante o resto de sua vida; Viver de maneira cuidadosa à evitar excessos, ao contrário de muitos de seus companheiros do Show Business. E, apesar de não se passar por uma pessoa passional, demonstrava tremenda compaixão ao próximo.

Comumente, muitas fontes afirmam que Alberta tinha 10 ou 11 anos quando (outras, menos provável, que ela tinha 16), ao sair para comprar pão, encontrou sua professora do colégio (conhecida por seus alunos como 'Miss Florida') que, por possuir uma passagem de ônibus extra, aceitou levá-la para Chicago. Alberta havia mentido dizendo que passaria em casa para pedir a permissão de sua mãe.
Com apenas as roupas do corpo, 15 centavos e sem qualquer idéia do que faria ao chegar lá, partiu para Chicago.

Ao chegar, segundo a história, ela foi intuitivamente vagando pela cidade até acabar no apartamento de Helen Winston, a filha de uma amiga de uma amiga de sua mãe (não foi erro de digitação. era realmente "amiga da amiga"). Helen conseguiu o primeiro emprego de Alberta, descascando batatas e ajudando com tarefas no apartamento por 6 dólares por semana.

Apesar de menor de idade, Alberta conseguiu um emprego de cantora no "Dago Frank's" um clube sórdido na parte sul de Chicago que era frequentado por jogadores, gangsters, prostitutas e cafetões. Ela só conhecia algumas músicas, mas imediatamente começou a expandir o seu repertório aprendendo uma nova música por dia. Ela não só desenvolveu a sua performance no club Drago Frank's como aprendeu a se vestir e a como lidar com cafetões, retirando generosas gorjetas deles.


Ela, então, conseguiu expandir seu "show" para uma série de clubes, evoluindo cada vez mais. Em 1919, ela já estava cantando no Dreamland com a banda de King Oliver. A partir daí até os 30 anos que se seguiram, sua carreira a levou para Nova York, Paris, Londres, Amsterdã, Copenhagen e partes da Ásia e África. Trabalhou com músicos renomados como Louis Armstrong, Sidney Bechet, and Fletcher Henderson. Quando, devido a 2ª Guerra Mundial, as viagens para Europa tornaram-se inviáveis, ela se alistou no USO para se apresentar em favor dos soldados na gurra.

Ao final dos anos 40, Alberta encontrava dificuldade em continuar a gravar e se apresentar, já estava com cinqüenta anos, os gostos haviam mudado e a televisão, assim como os filmes, esvaziaram parte da audiência. Ela ainda recebia algumas ofertas para viajar para a Europa, mas, simplesmente, não eram mais tão atraentes. Finalmente, com a morte de sua mãe em 1954, Alberta deixou o show business.


Servir a outros era um tema recorrente em sua vida e era assim que ela encarava as suas performances. Contudo, alguns anos antes, Alberta fazia trabalho voluntário no Hospital de Harlem e agora decidira transformar o que antes era voluntário em uma carreira, apesar de estar com 60 anos de idade(!). Conseguiu, usando sua lábia, cursar as aulas de enfermagem e, ao se formar, começou a trabalhar no Goldwater Memorial Hospital. Ela trabalhou os 20 anos seguintes como um enfermeira e pouquíssimas pessoas sabiam de sua antiga carreira como cantora de cabaré e ela nunca cantava para os seus pacientes.

Através de uma série de eventos improváveis, Barney Josephson, que era dono de um pequeno club no Greenwich Village, a localizou. O clube, "The Cookery", era o estilo de clube onde ela havia triunfado nos anos 20 e 30, intimista, cheio e barulhento. O dono do clube a convenceu de que ela seria bem recebida lá, embora ela acreditasse que ninguém se interessaria por uma velha cantando. Após alguns ensaios, estreiou fazendo par com o pianista Gerald Cook.

Assim como o Barney previu, ela foi um sucesso e no topo de seus 82 anos se tornou uma sensação da noite para o dia. O clube ficava lotado todas as noites, outros shows foram marcados, ela entrou nos circuitos dos 'talk shows', choveram artigos de jornais e revistas e a sua biografia foi escrita. Ela voltou a fazer turnês e discos (alguns dos quais estão disponíveis em CD) e foi durante esse período que muito do que se sabe sobre ela tomou a forma escrita.


A saúde da cantora só começou a declinar perto do fim; Mesmo após sofrer uma queda em 1981 e fraturar a perna, ela não diminuiu seu ritmo. Manteve seu calendário puxado de performances e gravações, até que, finalmente, em outubro de 1984, seis meses antes de seu 90° aniversário, Alberta Hunter morreu no seu apartamento em Manhattan, sentada em sua cadeira predileta.



FONTES:
Nursing the blues: The Remarkable Alberta hunter (1895-1984) - David H. Evans
Coleção "Para Saber Mais", Blues - Helton Ribeiro

Posts anteriores com alguma pertinência:
A influência feminina no samba
Sobre Yvonne Lara

indicação: O CD Amtrak Blues, eu comprei e valeu cada centavo.


PREVIEWS:
> Nobody Knows You When You're Down & Out


Integral:
> Downhearted Blues

domingo, 7 de maio de 2006

Paying the cost to be the bluesman

Este texto rola há algum tempo na internet; acho até que é manjado, mas acho que eu não poderia deixar de poster ele aqui. É um texto de humor sobre o blues, que brinca um pouco sobre os clichês do estilo, passando supostas instruções de como fazer um blues, como se fosse uma receita. É interessante perceber, no entanto, que muito da "brincadeira" do texto tem um certo quê de verdade (ou é baseado em coisas reais), como já dizia o ditado. Eis o dito cujo:
A maioria dos blues começam com "woke up this morning" ou seja, "acordei esta manhã".
"I got a good woman" (Eu tenho uma boa mulher) não é a melhor maneira de começar um blues. A não ser que você meta algo sujo na segunda linha. Por exemplo:
Eu tenho uma boa mulher
Dona do cachorro mais malvado da cidade.
A composição de um blues é sempre algo bem simples. Depois de se ter a primeira linha, basta repeti-la e depois encontrar algo que rima. É mais ou menos assim:

Eu tenho uma boa mulher
Dona do cachorro mais malvado da cidade.
Eu tenho uma boa mulher
Dona do cachorro mais malvado da cidade.
Seus dentes são como de Zélia Cardoso
E ele pesa uma barbaridade

Temas consistentes com o blues não incluem uma gama de opções ilimitadas, como para-quedismo, BMW's, uma noite na ópera ou afirmações sobre o meio ambiente. Em contrapartida, ser corno é um tema clássico em um bom blues.

Carros no blues são normalmente Chevrolets e Cadillacs. Outro meio de transporte aceitável em um blues é uma viagem de ônibus, preferencialmente pela viação Greyhound. Igualmente aceito seria um trem a caminho do sul, de preferência viajando escondido no vagão de carga.

Andar também é uma constante no estilo de vida de alguém que vive o blues. Se arrumando para morrer, idem.

Adolescentes não podem cantar o blues. Simplesmente não há vivência suficiente para dar credibilidade às lamentações. Adultos podem cantar o blues. Ser adulto no caso de quem vive o blues é ter a idade suficiente para ser sentenciado à cadeira elétrica por matar outro alguém em Memphis.

Embora seja admissível sentir o blues em qualquer lugar, por se tratar de um gênero de música americana suas melhores referências são as cidades daquele país. Ainda assim, há detalhes específicos que devem ser observados:

- Você pode ter o blues em New York City, mas não no Brooklyn ou Queens.
- Tempos difíceis em lugares bucólicos como Vermont ou North Dakota são apenas um reflexo da depressão financeira.
- Chicago, St. Louis, Austin e Kansas City ainda são os lugares mais recomendáveis para se ficar na fossa e cantar um blues.
- Qualquer menção ao Mississippi também é aceita de bom grado.
As seguintes cores não pertencem a um blues:
a) violeta
b) bege
c) salmão
d) cor de rosa

Você não pode ficar em clima blues em um escritório ou no shopping center. A iluminação não contribui e quebra o clima.

Um bom lugar para se ficar em clima para compor um blues é a auto-estrada, a cadeia ou quando está na cama, sozinho.
Outros exemplos de lugares inadequados para se ter o blues são:

a) Templos messiânicos
b) Galerias de Arte
c) Disneylândia
d) No Trump Plaza

Ninguém vai respeitar sua dor como sendo blues se você estiver de terno e gravata. Exceção feita se você for velho e negro. Se ainda por cima for cego, ajuda mais ainda.
Você consegue ter credibilidade cantando o blues se:
a) Você for cego
b) Você falar errado
c) Você matou alguém em Memphis
d) Sua mulher nunca está satisfeita

Você não consegue ter credibilidade cantando o blues se:

a) Você era cego mas agora consegue enxergar
b) Você tem uma herança guardada em poupança
c) Você é um politico em meio a sua gestão
d) Sua mulher consegue ficar satisfeita.

Nem Julio Iglesias nem Barbara Streisand podem cantar o blues.

Se você pedir por água e seu 'baby' te traz gasolina, isto é o blues. Outros líquidos a serem sorvidos em blues são:

a) Vinho barato
b) Bebidas provenientes de alambiques caseiros
c) Whiskey Irlandês
d) Águas lamacentas
Líquidos inadequados a serem sorvidos ou mencionados em um blues são:
a) Cuba libre, Hi-Fi ou outras misturas com nomes engraçadinhos
b) Vinhos para fins religiosos como Páscoa ou Natal
c) Red Bull
d) Gatorade

No blues, a morte geralmente acontece em um hotel de quinta categoria ou em um pardieiro. Tomar uma facada pelas costas da sua amante enciumada é a mais autêntica das formas de morrer no blues. Outras formas incluem:

a) A cadeira elétrica
b) Overdose
c) Abuso alcóolico
d) Sendo negado entrada em um setor de emergências de um hospital

Não é considerado uma forma digna para alguém que representa o blues morrer durante um tratamento de lipoaspiração, cirurgia plástica ou circuncisão.
Alguns nomes aceitáveis para mulheres no blues:
a) Alberta
b) Bessie
c) Janis
d) Big Mama
Alguns nomes aceitáveis para homens no blues:
a) Joe
b) Junior
c) Little Willie
d) Lightning
Nomes latinos como Dutra, Branco ou Figueiredo não serão permitidos a cantar o blues, independente de quantas pessoas eles tenham matado em Memphis.
Opções adequadas para se criar um nome autenticamente do blues:
a) Seu primeiro nome é de uma invalidez física (Blind, Cripple, Asthmatic)
b) Seu primeiro nome é de comida, bebida ou doce (Bacon, Wine, Honey)
c) Seu nome é de um estado de espirito (Homesick, Lonesome, Shakey)
d) Seu nome é de um presidente Americano (Jefferson, Johnson, Washington)
e) Seu nome é o de um estado americana, (Georgia, Louisiana, Kentucky)

Exemplos são Blind Lemon Jefferson, Blind Blake Phelps, Cripple Clearence Lofton, Dead Eye Norris, Peg Leg Norwood, Peg-Leg Sam Jackson, One-Armed John Wrencher, Bacon Fat Williams, Pigmeat Pete Wilson, Wine Head Bender, T-Bone Walker, Honey Boy Smith, Nelson Peppermint Harris, Don Sugarcane Harris, Homesick James Williamson, Lazy Bill Lucas, Lonesome Sundown Green, Playboy Fuller, Ramblin' Rob Nighthawk, Shakey Jake Harris, Screamin' Jay Hawkins, Steady Roll Johnson, Professor Longhair Byrd, Pinetop Perkins, Shorty George Johnson, Charley Lincoln, Slim Harpo Moore, Hammie Nixon, Roosevelt Sykers, Dinah Washinton, Carolina Slim Harris, Mississippi Matilda Witherspoon, Louisiana Red Minter e Texas Alexander.
Canções compostas por autores seguindo as regras e etiquetas mencionados acima, serão consideradas como sendo de blues autêntico.
FONTE:

segunda-feira, 24 de abril de 2006

85 anos de música

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"A chuva está caindo
Mas o samba não pode parar
não! não! não pode parar
não! não! não pode parar
Esta chuva miúda para o sambista é uma coisa a toa
chuva miúda no samba, malandro, é garoa..."


Um dos maiores motores e bastião do samba. Representante imortal, com a vantagem de ainda estar viva, do samba carioca. Yvonne Lara da Costa nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 13 de Abril de 1921. O pai, João da Silva Lara, era mecânico de bicicletas, além de violonista e componente do Bloco dos Africanos. D. Emerentina, a mãe, era pastora do Rancho Flor do Abacate. Aos seis anos de idade, ficou órfã de pai e mãe, sendo internada por parentes no Colégio Orsina da Fonseca, no bairro da Tijuca (bairro de origem, orgulhasamente, dos autores deste blog), Zona Norte do Rio de Janeiro, onde permaneceu até os 17 anos.

Admirada por suas professoras de música no colégio, Lucília Villa-Lobos, esposa do maestro Villa-Lobos e Zaíra Oliveira, primeira esposa de Donga, foi indicada para o Orfeão dos Apinacás, da Rádio Tupi, cujo regente era Heitor Villa-Lobos. Estudou música com Lucília e cantou sob a regência do maestro.

Saindo da escola, foi morar na casa de seu tio Dionísio Bento da Silva, que tocava violão de sete cordas e fazia parte de grupo de chorões que reunia Pixinguinha e Donga, entre outros. Com o tio, aprendeu a tocar cavaquinho. Seu primo, Mestre Fuleiro, também foi um dos fundadores da Império Serrano (que nasceu a partir de uma dissidência da antiga escola de samba Preazer da Serrinha) em 1947, ano em que Dona Ivone Lara mudou-se para Madureira e começou a freqüentar a Escola de Samba Prazer da Serrinha, mesma época em que começou a compor sambas para esta escola.



Casou-se, aos 25 anos, com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da Escola de Samba Prazer da Serrinha. Nesta época, passou a freqüentar a Escola, onde aprimorou seus dotes de sambista e conheceu os amigos Aniceto, Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira, que mais tarde seriam seus parceiros em algumas composições. Com a fundação do Império Serrano, em 1947, passou a desfilar pela verde e branco de Madureira.

Na Império Serrano compôs alguns sambas-enredos, como "Não Me Perguntes" (com Fuleiro) e o clássico "Os Cinco Bailes da Corte ou Os Cinco Bailes da História do Rio" (com Silas de Oliveira e Bacalhau). Participou das rodas de samba do Teatro Opinião nos anos 60, vindo a gravar o primeiro disco apenas em 1978, quando se aposentou do ofício de enfermeira (trabalhou com Nise de Silveira no tratamento de doentes mentais). Nesse mesmo ano foi gravado por Gal Costa e Maria Bethânia seu maior sucesso, "Sonho Meu", em parceria com Délcio Carvalho. A música foi premiada como a melhor do ano de 1978. Motivo pelo qual foi convidada a gravar seu primeiro LP em 1979 pela Odeon, "Samba, Minha Verdade, Minha Raíz" e, no ano seguinte, "Sorriso e Criança".


Outros intérpretes que tiveram êxito com composições da sambista foram Clara Nunes e Roberto Ribeiro ("Alvorecer"), o trio Maria Bethânia, Ceatano Veloso e Gilberto Gil ("Alguém Me Avisou"), Paulinho da Viola ("Mas Quem Disse que Eu Te Esqueço", com Hermínio Bello de Carvalho) e Beth Carvalho ("Força da Imaginação", com Caetano Veloso). Gravou até o ano 2000, somente estes cinco LPs e um CD, "Bodas de Ouro", com diversas participações.

Seu repertório é composto na maioria de sambas românticos, dolentes ou de inspiração em suas raízes africanas. Dona Ivone é madrinha da ala dos compositores da Império Serrano e desfila todo ano na ala das baianas.

Feliz aniversário e Benção!


Fontes:
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
Yahoo Música
Wikipedia

terça-feira, 18 de abril de 2006

12-bar em 2/4

Depois que eu me chamar saudade

Não preciso de vaidade

Quero preces, e nada mais

I don't care where you bury my body

When I'm dead and gone


Já faz algum tempo que vez ou outra me pego refletindo sobre a semelhança (e as diferenças - enfim, a relação) entre o blues e o samba. Acho que é uma analogia mais ou menos óbvia, partindo-se do princípio que, normalmente, o leigo, ao pensar em música brasileira, pensa em samba, e, ao pensar em música americana, pensa em jazz/blues (coisa que o leigo brasileiro não sabe diferenciar - nem faz idéia, na verdade, como pude comprovar nas primeiras sinopses do filme Black Snake Moan, que, se for pra frente, vai ganhar um post aqui).


Entretanto, o que eu proponho é uma apreciação um pouco mais detalhada dessa relação. Para tanto, é necessário compreender alguns aspectos destes estilos e dos contextos nos quais eles se desenvolveram (e continuam se desenvolvendo). Vale lembrar que este post não pretende esgotar o assunto, de maneira alguma, servindo, talvez, como base para introduzir uma reflexão, de maneira a demonstrar as paridades existentes entre estes dois estilos, que, por sinal, são por demais apreciados pelos dois colaboradores deste blog.

O primeiro ponto que naturalmente salta aos olhos é o fato de que ambos os estilos são música negra. Isto significa, é música feita, principalmente, pelos negros descendentes dos escravos trazidos da África para a América. Isto é verdade, em grande parte.

O samba, conforme pudemos notar no post do Renato abaixo deste, origina-se em estilos trazidos da África, mesclados, em certa medida, à música "branca" que encontraram no Brasil.

O blues, por sua vez, vem dos hollers, os cantos entoados nas plantations do delta do Mississipi pelos escravos. Estes cantos têm suas raízes fincadas na África, como podemos notar, por exemplo, no fato de utilizarem a escala pentatônica (das sete notas musicais, apenas cinco são usadas), com a "distorção" que é a blue note (ao passo que a música "careta", "branca", usa a escala convencional, de maneira predominante). Ao chegar à América, estes elementos se juntam, por exemplo, a instrumentos que têm sua origem na Europa e na sociedade "branca", como o violão e a gaita.

Podemos verificar, também, logo neste princípio dos dois estilos (praticamente contemporâneos, por sinal), uma diferença fundamental: o samba tem sua gênese no âmbito urbano, e vai se distanciando um pouco do centro da cidade, na medida em que sobe o morro, no início do século XX. No entanto, ele nunca deixa de ser um estilo de música urbano. O blues, em contrapartida, se origina nas plantações, é música que tem seu nascimento no âmbito rural, para depois, sim, chegar à cidade.
Podemos, também, pensar de uma maneira mais geral, de uma perspectiva contemporânea, como quem observa a penetração destes dois estilos na formação musical de seus países. O samba é identificado, de certa maneira, como "o" estilo de música brasileira, embora isso não possa ser generalizado dessa maneira. A colonização brasileira se deu de maneira "ganglionar", como se costuma dizer: pequenas ilhas que se conectavam somente com o exterior, com a metrópole portuguesa. Dessa forma, existem vários "Brasis", e a diversidade cultural que temos é gritante. Entretanto, a penetração do samba é superior à das demais músicas regionais, por razões que, honestamente, me fogem, sobre as quais posso apenas especular. E é neste campo de especulação que acredito que o samba foi favorecido por ser originado no Rio de Janeiro. Desta forma, quando os meios de comunicação (rádio, e, posteriormente, a TV) se expandiram no Brasil, a música difundida por eles era, principalmente, de música fortemente influenciada pelo samba (a "MPB", tropicália, Bossa Nova, etc.). Agora deixe-me falar um pouco sobre a influência do samba sobre estes estilos que ajudaram a "popularizá-lo" como "o" estilo de música brasileira.
O samba é música com pulsação em straight, em 2/4, com batida que é notada em quase tudo que é tido como "música brasileira", especialmente em um certo período (excetuando-se coisas muito específicas, como o rock nacional, ou o funk - falo de Tim Maia, não de Deise Tigrona). A batida (de violão) da bossa nova, por exemplo, imortalizada por João Gilberto, é uma batida de samba. A questão de ser em 2/4... Muito da chamada "MPB" dos anos 60 a 80, a própria bossa nova, muito disso é em 2/4, e usa essa batida de samba. Até os instrumentos típicos do samba (a bem da verdade, muito comuns ao choro, também) são encontrados nestas músicas posteriores.
O blues funciona de forma parecida. A batida 4/4 com pulsação em swing do blues foi a deixa para a gênese do rock n' roll, seu filho mais importante. E é público e notório que o rock é o estilo de música mais conhecido e difundido mundo afora. As pentatônicas do blues, a questão da "ambigüidade" de se usar escalas menores (pentatônica menor) em tons maiores, tudo o que o rock herdou do blues. Sem falar em coisas mais óbvias aos leigos. Os grandes baluartes da guitarra elétrica (instrumento, aliás, também, de certa maneira, herdado do blues) dos primórdios do rock n' roll foram todos fortemente influenciados pelo blues, quando não eram, eles mesmos, blueseiros, de certa maneira (Hendrix, Chuck Berry, Jimmy Page, Eric Clapton...).
A diferença aí talvez resida no fato de que o samba me parece muito mais popular no Brasil que o blues nos EUA - parte da explicação deste fato talvez resida nos desfiles de escolas de samba, enfim, na associação do samba com o carnaval. De qualquer maneira, tanto lá como cá, são estilos ainda estigmatizados, de certa maneira, por conta de suas origens negras e marginais ("marginal", com o sentido de estar à margem, não no sentido de ser criminoso, pelamordedeus).
Por fim, cabe examinar um pouco as letras. O blues trata, principalmente (em especial, em seus primórdios), de temas pesados (mas, algumas vezes, de maneira leve), como morte, separação, traição, álcool, o diabo, etc. Podemos dizer que o tema mais básico do blues é o lamento do bluesman por sua amada, que morreu (alguém falou em Death Letter?) ou foi embora. O samba também trata de temas cotidianos, embora tenda a ser mais leve. Muitos sambas, também, tratam de exaltar comunidades específicas (Feitiço da Vila, Folhas Secas, Foi um Rio que Passou em Minha Vida, dentre outros, para ficar só nos mais famosos), e alguns são até engraçados. Entretanto, é impossível não pensar no blues quando ouvimos, por exemplo, as pesadas e sombrias letras de Nelson Cavaquinho:

As rugas fizeram residência no meu rosto;
Não choro pra ninguém me ver sofrer de desgosto
Sempre só, e a vida vai seguindo assim;
Não tenho quem tem dó de mim;
Estou chegando ao fim
Mesmo Cartola, figura comumente associada à Mangueira, que é comumente associada ao carnaval, era um mestre em letras sombrias, parte importante de sua obra:

Um vazio se faz em meu peito,
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio;
E faltando as tuas carícias,
As noites são longas
E eu sinto mais frio
Sou um pouco suspeito pra falar, já que eu tenho uma espécie de teoria que diz que uma música bonita sempre tem, no mínimo, um certo quê de tristeza, embora não somente músicas tristes sejam bonitas. Fato é que, se essa melancolia no blues é regra, no samba não chega a ser exceção, e, se pararmos pra pensar, os núcleos humanos nos quais desenvolveram-se os estilos tinham de fato, muito a lamentar. Eram aqueles que estavam à margem da sociedade, e que, mesmo assim, tinham alegria em poder cantar seus demônios, até como uma maneira de exorcizá-los (aliás, eis aqui uma espécie de "princípio" do blues), mesmo sendo estes demônios nem sempre próprios das classes oprimidas, mas sim, coisas que afetam a alma de qualquer ser humano (a angústia da velhice, da morte, da perda da amada, etc.).
Enfim, o post já está longo o suficiente, e vago o suficiente, também, mas, como supracitado, não pretendia esgotar e nem mesmo fazer um grande desenvolvimento do assunto, apenas ressaltar alguns pontos sobre os quais já refleti e sigo refletindo, às vezes, e que acredito que valham de alguma maneira a atenção.