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Ela, então, conseguiu expandir seu "show" para uma série de clubes, evoluindo cada vez mais. Em 1919, ela já estava cantando no Dreamland com a banda de King Oliver. A partir daí até os 30 anos que se seguiram, sua carreira a levou para Nova York, Paris, Londres, Amsterdã, Copenhagen e partes da Ásia e África. Trabalhou com músicos renomados como Louis Armstrong, Sidney Bechet, and Fletcher Henderson. Quando, devido a 2ª Guerra Mundial, as viagens para Europa tornaram-se inviáveis, ela se alistou no USO para se apresentar em favor dos soldados na gurra.

"A chuva está caindo
Mas o samba não pode parar
não! não! não pode parar
não! não! não pode parar
Esta chuva miúda para o sambista é uma coisa a toa
chuva miúda no samba, malandro, é garoa..."



Depois que eu me chamar saudade
Não preciso de vaidade
Quero preces, e nada mais
I don't care where you bury my body
When I'm dead and gone
Já faz algum tempo que vez ou outra me pego refletindo sobre a semelhança (e as diferenças - enfim, a relação) entre o blues e o samba. Acho que é uma analogia mais ou menos óbvia, partindo-se do princípio que, normalmente, o leigo, ao pensar em música brasileira, pensa em samba, e, ao pensar em música americana, pensa em jazz/blues (coisa que o leigo brasileiro não sabe diferenciar - nem faz idéia, na verdade, como pude comprovar nas primeiras sinopses do filme Black Snake Moan, que, se for pra frente, vai ganhar um post aqui).
Entretanto, o que eu proponho é uma apreciação um pouco mais detalhada dessa relação. Para tanto, é necessário compreender alguns aspectos destes estilos e dos contextos nos quais eles se desenvolveram (e continuam se desenvolvendo). Vale lembrar que este post não pretende esgotar o assunto, de maneira alguma, servindo, talvez, como base para introduzir uma reflexão, de maneira a demonstrar as paridades existentes entre estes dois estilos, que, por sinal, são por demais apreciados pelos dois colaboradores deste blog.
O primeiro ponto que naturalmente salta aos olhos é o fato de que ambos os estilos são música negra. Isto significa, é música feita, principalmente, pelos negros descendentes dos escravos trazidos da África para a América. Isto é verdade, em grande parte.
O samba, conforme pudemos notar no post do Renato abaixo deste, origina-se em estilos trazidos da África, mesclados, em certa medida, à música "branca" que encontraram no Brasil.
Podemos, também, pensar de uma maneira mais geral, de uma perspectiva contemporânea, como quem observa a penetração destes dois estilos na formação musical de seus países. O samba é identificado, de certa maneira, como "o" estilo de música brasileira, embora isso não possa ser generalizado dessa maneira. A colonização brasileira se deu de maneira "ganglionar", como se costuma dizer: pequenas ilhas que se conectavam somente com o exterior, com a metrópole portuguesa. Dessa forma, existem vários "Brasis", e a diversidade cultural que temos é gritante. Entretanto, a penetração do samba é superior à das demais músicas regionais, por razões que, honestamente, me fogem, sobre as quais posso apenas especular. E é neste campo de especulação que acredito que o samba foi favorecido por ser originado no Rio de Janeiro. Desta forma, quando os meios de comunicação (rádio, e, posteriormente, a TV) se expandiram no Brasil, a música difundida por eles era, principalmente, de música fortemente influenciada pelo samba (a "MPB", tropicália, Bossa Nova, etc.). Agora deixe-me falar um pouco sobre a influência do samba sobre estes estilos que ajudaram a "popularizá-lo" como "o" estilo de música brasileira. 




"Quem for bom de gosto
Mostre-se disposto
Não procure encosto
Tenha o riso posto
Faça alegre o rosto
Nada de desgosto
Ai, ai, ai
Dança o samba
Com calor, meu amor
Ai, ai, ai
Pois quem dança
Não tem dor nem calor"
Fontes:
Pequena História do Samba - Nancy Alves
Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira
“Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro” (FUNARTE, 1983) de Roberto Moura
Após um longo e tenebroso inverno, finalmente uma atualização. Tudo bem, ainda não é um post, com informações ou coisas interessantes, mas é um sinal de que o 12-bar está vivo, mudou de endereço, layout (ok, ainda estamos tentando encontrar a melhor opção), e que um dia vai virar um blog de verdade, hehehe.

Alguns estilos, e alguns artistas, entretanto, pelo menos pra mim, costumam precisar de um "algo a mais", até pra que eu aprenda o "mood" praquela(s) música(s). Aconteceu com o Led Zeppelin. Eu baixei trocentas músicas há uns anos, mas só gostava de algumas. Hoje em dia, é difícil dizer de qual eu não gosto (The Crunge é o exemplo mais evidente). Aconteceu com Jimi Hendrix. Aconteceu com o blues.
E aconteceu com Robert Johnson. Afinal, quando eu peguei uma ou outra gravação (Hell Hound On My Trail e Me And The Devil Blues, excelentes títulos pra cativar um molequinho que havia começado a ouvir rock poucos meses antes), eu francamente não gostei. Eu até achava interessante, as letras, coisa ou outra na música, mas não conseguia cantar a plenos pulmões, acompanhando e me empolgando com aquilo. Era uma gravação tosca, um violão estranho, uma voz que muitas vezes parecia irritar... que que aquele negão tava cantando? Com o tempo, com o costume com o blues, eu fui aprendendo a apreciar melhor a arte de Robert Johnson. Entretanto, esse "entendimento" só chegou ao completo por meio de um intermediário, há poucas semanas. Isso já me tinha acontecido com o próprio blues (o intermediário tinha sido o Led Zeppelin), e a música brasileira, MPB e samba, em especial (que eu gostava, mas não achava grandes coisas - o intermediário foi o Los Hermanos). Dessa vez, o intermediário foi o grande Eric Clapton.
Conversa vinha e conversa ia com o Alvaro, o meu colega de 'posts' desse blog, nos perguntávamos o que ELE iria tocar, tentávamos antecipar suas escolhas e, com isso, aumentávamos nossas expectativas. Eu apertava a minha mão contra o meu joelho, respirava e dizia: será perfeito se ele tocar 'done got old', mais nada, essa é uma música que eu tenho que ouvir da boca dele. O Alvaro concordava, balançava a cabeça e, então, discutíamos mais músicas.
Pegamos o meu carro e saímos um pouco antes da hora marcada para o show, pois não queríamos esperar muito. Chegamos bem a tempo, ocupamos nossos lugares nas fileiras da frente, graças a meses de economia, uns quinze minutos antes de começar o show.


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Certa vez, o Renato comentou comigo sobre o violão do Son House. Nunca tinha prestado muita atenção, exceto pelo fato de que já vira um modelo igual na capa do disco "Brothers In Arms", da fantástica banda Dire Straits. Estava plantada a veneração ao violão do Son House.
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Era um violão de metal, com uma caixa de ressonância extremamente peculiar, e que... bem, a verdade é que simplesmente o visual do violão agradava a ele, e eu fui obrigado a concordar (de fato, era fantástico).
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Natural, portanto, que suscitasse alguma pesquisa para o blog, idéia que me ocorreu quando postei pela última vez, sobre o "Death Letter Blues".
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Descobri tratar-se de uma "steel guitar", um violão com uma ressonância superior aos comuns, de madeira, cujo volume permitia que se tocasse para platéias muito maiores, num contexto (lugar e época) em que nem sempre se podia amplificar eletricamente os instrumentos. Esta propriedade fazia da "steel guitar" a preferida de muitos nomes clássicos do blues, e ela se tornou um instrumento muito associado especialmente ao Delta do Mississipi e à Lousiana, principalmente acompanhado de "slides" ("bottlenecks").
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Bem, não há muito mais a acrescentar, exceto pelo fato de que descobri que se trata do sonho de consumo de muitas outras pessoas, também. Faço aqui uma promessa a mim mesmo. Um dia eu terei um violão igual.
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LINKS INTERESSANTES:
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Wikipedia
Foto grande do modelo do violão do Son House
Site do fabricante "National Resophonic"



Oscar Niemeyer repete que a arquitetura não importa, e sim a beleza, as mulheres e o convívio social. No entanto, ele passou as últimas sete décadas debruçado à prancheta, perseguindo a meta do ofício, erguer monumentos que desafiem os princípios da Física e ameacem flutuar no espaço. Ainda mais espantosa é sua produção: segue a elaborar projetos, fiscalizar obras que criou e a lançar um livro atrás do outro em vários gêneros.O último (e mais harmonioso) baluarte da esquerda brasileira fala da degradação dos valores políticos na globalização, critica a má execução de seus projetos e conta histórias de vida e os segredos da vida longa e da grande arte.
Niemeyer tem discutido com sucessivos governadores do Distrito Federal para tentar impor sua vontade. Governantes são obstáculos de seus desejos de criador de espaços. Outro alvo de sua fúria é o prefeito Cesar Maia, do Rio de Janeiro. 'Ele mandou inscrever propaganda da prefeitura no alto do arco do Sambódromo', ataca o arquiteto. 'Aquele é um monumento às formas da mulata. Usá-lo para promover a prefeitura é profanação!' Ele está reunindo a comunidade de arquitetos e sambistas para apagar o letreiro.
O complexo do Parque do Ibirapuera em São Paulo merece também críticas de seu criador. 'Ele foi fundado em 1954, mas até agora deixa a desejar', diz. Está tão furioso com a execução que jurou não comparecer à inauguração. Isso porque não concorda com a manutenção da histórica marquise, que corta a praça em duas partes. 'É de uma burrice fantástica manter a marquise', critica. 'Nunca vi no mundo uma praça cortada por uma marquise.' Aos que argumentam que a marquise é uma das atrações amadas pela população, ele retruca: 'O projeto é meu. Estou mandando derrubá-la!'.
"Defendo, intransigente, a minha arquitetura. Mas o mais importante é a vida, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar”
Da janela de seu escritório, que freqüenta diariamente, ele vê o mar e as montanhas da paisagem de Copacabana. Dizem que dali ele tira a inspiração para as curvas. Para quem projetou Brasília e desenhou a sede da ONU, em Nova York, além de já ter recebido todas as condecorações possíveis, parece que a vida está completa, certo? Não para Niemeyer. Inquieto e convicto de suas ideologias, ele não aceita a miséria e a desigualdade social e continua a sonhar com uma revolução socialista. Apesar de ateu, projetou mesquitas, igrejas, sinagogas e até um templo evangélico. Finaliza agora o Caminho Nie-meyer, em Niterói, além de estar à frente de várias construções, entre elas o Museu e Centro Cultural dos Prêmios Príncipe de Astúrias, na Espanha.
Tem consciência de que não estará entre nós para sempre. Por isso, seus livros. 'Tenho escrito até novelas', conta. 'Tudo bobagem'. Ele acaba de lançar Casas onde Morei, memórias das casas em que viveu (e de algumas que construiu), e Minha Arquitetura - 1937-2005. Este último é um balanço comentado de toda a sua produção, de projetos a esculturas e móveis. Seus comandados informam que, além das esculturas, ele tem desenhado mulheres a cavalo e escrito poemas e histórias. Mas é na arquitetura que encontra o campo de batalha favorito. Os prédios, monumentos, pontes e templos que assina fazem parte de um projeto utópico. Sua obra em concreto deseja, em última instância, soterrar com beleza a realidade de um mundo socialmente desigual. 'Felizmente, consegui viver para construir minha obra', diz, com orgulho. 'Mas envelhecer, meu caro, é uma merda!'
Fontes:
Época 1
Quem
Época 2




Eu fui pessoalmente conferir a peça, pois a descrição me parecia texto descritivo mais atraente a passar por meus olhos em muito tempo. Vocês podem achar, por um momento, que com tanta expectativa, principalmente aquelas mal direcionadas, dificilmente coisa alguma estaria a altura. Entretanto, dentre surpresas, arrepios e emoções contidas, a peça valeu cada centavo e a inétida afirmação, de minha parte pelo menos, de valer muito mais do que eu me propus inicialmente a pagar.
Uma análise extremamente poética de nossas paixões melódicas e de nossas influências instrumentais, causou-me arrepios. É indescritível frente uma primeira análise, mas com calma conseguimos pensar em alguns adjetivos apropriados para esse espetáculo hipnotizador, e é por isso que o meu convite é para que vocês mesmos o adjetivem, pois não existiria homenagem mais lisongeira. ;o)
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ESTRÉIA: 2/9/2005, às 19h
TEMPORADA: até 23/10/05 (de quinta a domingo às 19h).
DURAÇÃO: 120 minutos
LOCAL: Teatro do Centro Cultural Correios (lotação 180 lugares): Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro - Rio de Janeiro/RJ - Tel (021) 2253-1580.
INGRESSOS: 5ª e 6ª R$ 10,00 Sáb. e Dom. R$ 15,00.
Maiores de 65 anos e estudantes com carteira da UNE pagam meia-entrada.
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: Livre
Fontes:
Beatriz, a namorada (ela que mandou a msg. então tá + pra inspiração do q pra fonte, mas td bem)
UOL-Guia da Semana
CCC - Centro Cultural dos Correios

BB gosta de dizer que Lucille (sua guitarra; na verdade, várias) é um músico à parte em seus shows, e a verdade é que isto não é um exagero poético (por mais que Lucille dependa de suas mãos para soar). Se existe, no mundo, uma guitarra que, de fato, "fala", e "chora", esta é Lucille.